quinta-feira, 5 de março de 2009

Por outro lado...

Por outro lado, estou satisfeita com algumas coisas e quero dividir com vocês o meu alívio.

A minha principal preocupação antes de voltar à faculdade era se eu iria conseguir manter a qualidade do vínculo que eu mantinha com a Helena, graças ao tempo que eu dispunha.

E a coisa ficou da seguinte maneira:

Helena acorda lá pelas 7h e mama, tomamos café da manhã e intercalamos o brincar e as minhas atividades "do lar" hohoho, até umas 11h30. Daí eu dou o banho e o almoço, nisso ela já está implorando pela soneca do dia. Deito na cama com ela e dou o peito até ela dormir. Deixo ela dormindo e vou tomar banho, me trocar e almoçar. Minha mãe chega 12h30. Eu saio 13h e chego de volta antes das 18h. Minha mãe vai embora e até a hora dela ir dormir, eu dou o peito, dou banho, dou o jantar e muitos beijos e abraços. Por que não tem nada melhor do que carinho de filho(a).

Mas antes de conseguir organizar os meus horários, eu penei bastante.

Tentei ir de ônibus pra USP, como fazia antes e durante a gravidez. Mas gente, eu levava 1h30 pra ir e de 2h a 3h pra voltar... um inferno! Estava chegando em casa quase 20h.

Como o Sérgio chega umas 17h30, minha mãe ia embora, ele dava banho, jantar e ficava com a Helena me esperando. Eu chegava só pra dar o peito e ela já queria dormir.

Nada contra o pai dela fazer isso pra mim, mesmo porque ele me ajuda muito sempre que está em casa. Mas meu coração ficava em migalhas quando ele dizia que a Helena ficava apontando pra porta e dizendo mãmã... me enche os olhos de lágrimas só de lembrar.

Resumindo, ir do Imirim até o Butantã de carro, não é nada econômico, além de super poluente. Mas tem ajudado muito a conseguir ser uma mãe menos ausente.

"Tempo, tempo, tempo... Mano Velho".

Gente, é o seguinte: como vocês já sabem voltei a estudar... e o pouco tempo que eu tinha pra mim, só pra mim, acabou... buááááá. Costumava entrar na internet para ler os e-mails dos grupos de discussão, ler os blogs amigos e escrever aqui, tudo depois da Helena dormir, lá pelas 20h. Só que agora todo dia eu tenho texto da faculdade pra ler antes da próxima aula e tem faltado tempo pra poder ficar mais perto de vocês (se já não bastasse a distância física mesmo, snif...).

E gente, além da amizade, que é o mais importante, tem também tudo o que eu aprendi e que venho aprendendo no mundo materna, e que fazem a mim e a minha família tão bem.

É tão bom poder conversar com pessoas que também acreditam na criação por apego, na importância da família na costituição de uma pessoa.

Estou tão chocada com alguns comentários que tenho escutado de professores na faculdade... do tipo: "A família é um apêndice da escola" ou "Eu fico mais com os meus alunos do que com o meu filho", e ainda "O amor materno é um mito" e coisas do tipo.

Mas e onde fica a nossa responsabilidade de pais? Ou essa responsabilidade também é um mito? Me parece que nos dias atuais, sim, é um mito. Cada vez menos encontramos pais dedicando tempo a seus filhos.

E é por essas e muitas outras que eu me orgulho muito de ter amizades tão preciosas como a de vocês. Por saber que vocês também enxergam esse mundo de forma humanizada, responsável e consciente.

Por isso, apesar de não conseguir escrever e comentar na frequencia que eu gostaria, estou aqui torcendo por vocês.

Sei que o Japão passa por uma crise muito mais séria do que aqui no Brasil, então, eu aproveito para enviar boas vibrações e dizer que estou torcendo pelo término desse conturbado período.

Um forte abraço!